Memorial Petronio Augusto Pinheiro
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Anos 30 - A Era do Rádio
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Um aparelho ainda precário, quase artesanal, provocou, nos anos 30, uma mudança radical nas comunicações do Brasil, mudança que evoluiu, nas duas décadas seguintes, para uma verdadeira revolução no comportamento. O rádio, cuja primeira transmissão no país fora feita em 1922, durante as comemorações do centenário da Independência, chegara para ficar. Começou como coisa de elite - para se ouvir as transmissões, era necessário se associar as rádio-sociedades ou aos rádio-clubes. A programação era de "alto nível": leitura e comentários de poemas, música clássica, óperas, tudo de acordo com o fim instrutivo-cultural.

Nilo Pinheiro, não teve oportunidade de frequentar escolas avançadas, mas sonhava com o conhecimento e a qualificação de sua família. O rádio no seringal era uma das principais ferramentas de comunicação que as famílias do Juruá utilizavam para se manterem informadas sobre os valores de câmbio da borracha no mercado e a respeito das notícias da capital e do mundo.

Em sua tese sobre a cultura amazônica, a pesquisadora Selda Vale da Costa faz um retrato de Manaus de 1937, época quando Petronio cursava o ginásio no Colégio Dom Bosco. Na trajetória de Petronio Pinheiro esta é a década das definições e rupturas. No Amazonas, a estagnação alcança níveis preocupantes de empobrecimento e a precariedade das condições de vida no seringal, relatada nas cartas de seo Nilo e ratificada nas viagens de férias que Petronio fazia ao seringal Conceição do Raimundo onde a rotina diária de prover os recursos básicos se tornara insustentável.

A adversidade e falta de perspectiva do seringal ainda não permitiam acompanhar pelas revistas as inquietações de um Brasil em transformação. Os historiadores definem a década de 30 como um divisor de águas na História brasileira, pelo declínio de uma classe social constituída até então por uma elite agrária, baseada na economia cafeeira, a ascensão do segmento industrial e o crescimento da organização dos trabalhadores urbanos notadamente no Sudeste brasileiro. O período de 1930 até 1937, quando se implanta o Estado Novo na Era Vargas, foi de incertezas para a população brasileira, de instabilidade social e política e de muitos avanços, recuos, entremeados com arroubos nacionalistas de um regime autoritário implantado no País. Um país de costa para a Amazônia. Eram tempos de insegurança e terror, denunciados por muitas vozes e sob formas diversas, inclusive a poesia, no exterior e mesmo no Brasil, apesar da violenta censura. Foi, também, o início da consolidação de uma frente econômica baseada na indústria, que trazia consigo a ascensão de um novo grupo social que viria determinar, futuramente, os rumos econômicos de nosso país.

COSME FERREIRA - O MESTRE VISIONÁRIO

Se a formação salesiana reforçou e deu fundamentos de vida ao universo de valores assimilados na primeira infância e adolescência no seringal, o relacionamento com o empresário Cosme Ferreira Filho marcou sua visão de mundo amazônico, de negócios e de crenças e propostas para o desenvolvimento econômico e prosperidade social do Amazonas, da região amazônica como um todo.

Cosme conheceu Petronio em seu primeiro emprego, como contínuo da Associação Comercial do Amazonas (ACA), ponto de encontro das lideranças empresariais e políticas do Estado, onde ele atuou por mais de 50 anos. Chamou a atenção de Cosme Ferreira a desenvoltura e a firmeza daquele jovem recém-chegado das barrancas do Rio Juruá, filho de seringueiro/seringalista atingido pela débâcle da borracha, um assunto que ocupou coração e mente desse cearense que adotou o Amazonas como seu. Por isso, o chamou para trabalhar na Companhia Nacional de Borracha, uma empresa de beneficiamento, pesquisa e comercialização do látex, um laboratório experimental que ilustra a teimosia e a obstinação de Cosme Ferreira Filho, esse cearense caboclo, em restaurar a economia da goma elástica e de outros produtos da biodiversidade amazônica.

Petronio aceitou o convite de trabalhar na Companhia Nacional de Borracha, para onde levou seu irmão Alfredo, além de Jaime Sodré e Joacy Fernandes, irmãos por afinidade desde os tempos do seringal, e aí trabalhou em todos os segmentos, desde a função de contínuo, “office-boy”, como se diz hoje, a superintendente, depois sócio do velho mestre que se tornou um dileto amigo.

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    2010

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