Memorial Petronio Augusto Pinheiro
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Anos 90: Preservar ou conservar?
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Mesmo com a experiência de consultor ambiental do governo brasileiro, na década de 80, Petronio jamais se encantou com essa onda xiita dos ambientalistas que queriam manter a Amazônia intocada. Em seu depoimento, o Almirante Roberto Gama e Silva conferiu a Petronio o papel de professor de assuntos amazônicos. De uma Amazônia, porém, que precisa ser explorada com equilíbrio e inteligência em favor de sua gente. Essa Amazônia abriga 20% de toda a água doce do planeta, ocupa 5% da área do globo terrestre, guarda 30% das florestas tropicais ainda vivas, mas é habitada por apenas 3,5 milésimos da população mundial. A grandiosidade da região é inversamente proporcional à sua fragilidade e vulnerabilidade perante a antiga ameaça da mão do homem. Mas a velha ideia de preservar a floresta intocada já está ultrapassada. O futuro é explorar o que ela pode oferecer enquanto está viva, em pé. Chegou a Era do Manejo, recomendado pela Conferência da ONU, no Rio de Janeiro, a RIO-92.
Conferência da Terra

A FIEAM de Petronio Pinheiro, Moysés Israel, Antônio Simões, Mário Guerreiro, em conjunto com o governo do Estado, na gestão Gilberto Mestrinho, participou intensamente das ações preparatórias da Conferência da ONU, a Rio-92, em Manaus, para onde acorreram grandes lideranças mundiais. O Príncipe Charles, o premier alemão Helmut Kohl, entre tantas personalidades, vieram conferir se aqui estavam realmente acontecendo as queimadas que poderiam mudar o clima da terra com um aquecimento catastrófico. O grande dilema era preservar ou conservar a região.

De acordo com a geógrafa Berta Becker, essa é uma diferença conceitual, mas bastante importante. Preservação é diferente de conservação. Preservar é não tocar, é deixar como está. Conservação é utilizar sem destruir. O bom senso aponta para a conservação, o manejo inteligente, com inclusão do uso não destrutivo do patrimônio natural de modo a gerar trabalho e renda sem deteriorá-lo. São muitos os obstáculos, especialmente a questão fundiária, que no Brasil é estrutural e está ligada ao poder. As elites, historicamente, querem ter terras, e não estamos falando só do momento presente. Querem terras não somente para a produção organizada, mas porque significa poder, status, reserva de valor para o futuro. No Brasil e em boa parte da América Latina, o crescimento da produção agrícola foi baseado na expansão da fronteira, ou seja, o crescimento sempre foi feito a partir da exploração contínua de terras e recursos naturais, que eram percebidos como infinitos. O problema continua até hoje. E a questão fundiária está intimamente ligada a esse processo, em que a terra dá status e poder, com o decorrente avanço da fronteira da produção agrícola, que rumou para a Amazônia nos últimos anos.

Modernização Agrícola

A modernização da agricultura propiciou, por um lado, maior produtividade nas lavouras, mas fez aumentar a velocidade na incorporação de novas áreas, apoiada também pelas tecnologias da informação. É a chamada cronopolítica, que começa a superar até a geopolítica. A iniciativa privada sabe muito bem se mover nessa nova velocidade, enquanto o Estado ainda se mexe no mesmo tempo pretérito. Portanto, acaba sendo criado na Amazônia todo um sistema logístico, de armazéns, cidades, redes de comunicação, que permite uma rapidez muito maior da expansão da fronteira. Isso é muito nítido por lá, basta chegar em qualquer cidade para perceber, pois são os empresários que dominam tudo, que instalam e comandam essa logística, e o Estado está sempre atrás.

Conservar é atribuir valor

Frequentador assíduo das redondezas florestais e ribeirinhas de Manaus, Petronio Pinheiro e Ribamar Siqueira haviam desenhado um projeto de aproveitamento da argila regional, convencidos de que era preciso enfrentar o desafio amazônico com a recomendação de Dom Bosco, Omnia vincit labor, dando à floresta e seus insumos uma destinação comercial e industrial inteligente. Essa é a história da Cerâmica Taquara, que foi implantada nas cercanias do Encontro das Águas nos anos 90. A floresta amazônica só vai ser conservada quando lhe for atribuído um valor tal que a torne competitiva, com o valor que ela pode ser capaz de gerar enquanto está em pé. Seus produtos precisam assumir preços de commodities. A ideia de vender créditos de carbono, muito em moda nos discursos políticos, não leva dinheiro para a mão da população, que quer se desenvolver, crescer. É necessário dar preferência ao aproveitamento das riquezas da floresta, pois já existem mercados a serem explorados e muitos outros a serem abertos. Há vários exemplos de campos comerciais que estão prontos para serem aproveitados. O ramo biomédico, por exemplo, embora seja difícil concorrer com os grandes laboratórios mundiais. O da nutracêutica, que é gigantesco, e para quem não sabe diz respeito aos alimentos naturais que geram bem-estar e saúde. E a dermocosmética, que algumas empresas brasileiras estão começando a explorar muito bem, inclusive internacionalmente. A alta tecnologia precisa entrar na Amazônia para permitir a descoberta de novos produtos e mercados.

Desenvolvimento com inteligência

Com seu mestre Cosme Ferreira, com seu irmão Alfredo Jacaúna, com Ribamar Siqueira, sua família e sócios do Grupo Simões, Petronio tem uma larga experiência no aproveitamento dos negócios com os produtos naturais da região. Borracha, guaraná, castanha, pescado, pecuária... Petronio mostrou que a região amazônica, primeiramente, não pode ser encarada como algo único. É um caldeirão de diferenças sociais, é grande e diversa. Mas uma coisa é comum: o nível de aspirações se elevou enormemente para todos os atores sociais daquela região, desde empresários, agricultores e governos, até ribeirinhos, índios e pequenos produtores agrícolas. Todo mundo quer se desenvolver, é um caminho sem volta. Acabou a fase de ocupação pura e simples. É urgente a concepção de uma política de consolidação do desenvolvimento. As pessoas estão preparadas e muitas até mobilizadas, em diferentes níveis, trabalhando em conjunto para melhorar aqui e ali. O movimento ambientalista foi muito importante nos anos 90, fundamental quando mobiliza pessoas conscientes e comprometidas com o tecido social integralmente. Ele foi o responsável por barrar o avanço da fronteira agrícola e a depredação madeireira da região amazônica no final do Século XX. Certamente atingiu os objetivos a que se propunha. Hoje, 30% do território amazônico está protegido, o equivalente à área da Espanha. Mas o mundo mudou e a Amazônia também, assim como os atores envolvidos.

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