Memorial Petronio Augusto Pinheiro
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Anos 80 – Eixos de Transformação
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O processo de desenvolvimento da Amazônia brasileira ocorrente em pleno florescer do século XXI nada mais é do que a consolidação das estratégias de desenvolvimento concebidas para a região no último quartel do século XX.

Nos anos 80, enquanto os projetos de agronegócios, pecuária e mineração ganharam fôlego e muito incentivo, com recursos próprios ou tomados nas instituições financeiras privadas, segundo relatos de Geraldo Braz, do BANORTE, são fundadas ainda as fábricas franqueadas de Coca-Cola em Rondônia, no Acre, no Amapá, e mais duas no Pará, nas cidades de Santarém e Marabá, e o Grupo Simões é reconhecido pela Coca-Cola do Brasil, como sendo "fabricante da década", em função da coragem e emprendedorismo de acreditar na região.

Passados mais de 30 anos do início do processo desenvolvimentista da região, tendo-se, até por força do momento histórico, ultrapassado de um século para outro, o que se verifica é que os três grandes eixos dinâmicos concebidos como estratégia de desenvolvimento da Amazônia foram, ao longo desse tempo, fortalecendo-se e impondo uma dinâmica que reorganizou a estrutura produtiva regional e restabeleceu os fluxos de comercialização com o mercado extrarregional e internacional, sobretudo, o que resultou que a Amazônia, como queria Getúlio Vargas, deixasse de ser um imenso vazio demográfico e uma região isolada economicamente para se transformar em um subespaço global economicamente integrado.
Além dos empreendimentos capitaneados pelo Grupo Simões, Petronio enveredou pela criação de búfalos, uma espécie vinda da África, aclimatada com muito sucesso na Amazônia. Depois de experimentar a nova pecuária nos arredores de Manaus, na Fazenda Manacá, Petronio implantou a Fazenda Carabao, em homenagem à raça bubalina que tanto o encantou. Depois de seu falecimento, em 2006, seus familiares, liderados por Iclé Baraúna Pinheiro, foram reconhecidos pelo prêmio de Pecuarista do Ano, pela Federação da Agricultura do Estado do Amazonas.

Todavia, como esse processo desenvolvimentista se efetivou nos moldes como havia sido teoricamente concebido, determinou-se que setorialmente fossem priorizados aqueles empreendimentos que, além de serem intensivos em capital e poupadores de mão de obra, têm sua dinamicidade determinada pelo mercado externo. E como o fator locacional tem sido marcado por elementos vinculados às áreas de localização da matéria-prima ou induzidos por políticas específicas de desenvolvimento, acabou-se por concretizar que o dinamismo econômico atualmente observado na região esteja justamente ocorrendo naqueles subespaços econômicos previstos antes mesmo da efetivação desse processo no século passado.
Em muitos depoimentos de seus colaboradores, fica evidenciada a preocupação de Petronio Pinheiro com o fator humano, sua insistência em que todos tivessem oportunidade de estudos e promoção pessoal como premiação dos esforços. Homem do Juruá, conhecedor profundo das desigualdades entre a capital e o interior, Petronio não perdia a oportunidade de estimular que as pessoas estudassem. Por isso, fez questão que seus filhos buscassem centros mais avançados de estudo para aperfeiçoar a própria qualificação.

Petronio percebia que o desenvolvimento ocorrente na Amazônia era economicamente desigual, setorialmente heterogêneo e socialmente excludente. Isso emerge de sua conduta e escolhas ao longo de sua trajetória. Os economistas explicam essa paisagem por conta da acumulação de investimentos exclusivamente na capital, no caso do Amazonas, concentrando as atividades econômicas e a receita pública.

Talvez por isso, essas atividades produtivas que dão suporte aos eixos dinâmicos do desenvolvimento regional resultam que o Amazonas, o Pará e o Mato Grosso se destaquem no contexto regional, em detrimento das demais unidades federativas, e que a economia desses Estados se destaque em determinados subespaços econômicos com elevada capacidade de interação e dinamização econômica, o mesmo não ocorrendo com os demais subespaços, impondo consequentemente uma desigualdade intrarregional tanto em nível macro quanto em nível microrregional, ou seja, entre os Estados, entre os municípios no âmbito de cada Estado, e entre os municípios no contexto da região.
A conjugação desses fatores permite que se afirme que hoje, diferentemente do passado distante, existe não apenas uma, mas "várias Amazônias" dentro da Amazônia brasileira, com perfis e estruturas econômicas distintas e heterogêneas.

Em 1984, a convite da presidência da Republica, à época nas mãos de João Batista Figueiredo, Petronio Pinheiro e seu inseparável amigo José Ribamar Bentes Siqueira, de acordo com o relato do Almirante Roberto Gama e Silva, foram chamados a Brasília para apreciar novas linhas de ocupação, desenvolvimento e meio ambiente, para a Política de desenvolvimento e Meio ambiente da Amazônia. Aí ficaram por quase 30 dias participando de debates para a elaboração do documento.

Entre as preocupações daquele momento, e que permanecem, estava o dinamismo econômico ocorrente na Amazônia, expresso pelo principal indicador macroeconômico, que é o PIB, não se reflete na mesma dimensão em termos espaciais quando se tenta verificar a possibilidade (ainda que não real) de sua distribuição em relação à população, no caso expresso pelo PIB per capita. Possuir o PIB mais elevado na região não é sinônimo de ter o PIB per capita mais elevado, mas sim justamente o contrário. Se for levado em conta que o PIB per capita não é metodologicamente adequado para se inferir a renda per capita, então fica ainda mais evidente o quanto o desenvolvimento ocorrente na região é desigual e excludente.
Nesse contexto, novamente é importante retomar o discurso da FIEAM , para entender a sintonia e a percepção de Petronio, escolhido O Industrial do ano de 1984, com as contradições econômicas e sociais de seu tempo. Ao mencionar as pressões contra o modelo, ele insiste na urgência de sua interiorização, do aproveitamento dos recursos naturais da região e a respectiva agregação de valor com inovação tecnológica.

Enfim, a percepção desta década é a tendência de prevalecer esse quadro de distorções ao longo dos anos, e que, de alguma forma se estende aos nossos dias, já que a Amazônia ainda se constitui em uma "usina de dólares" necessária para a manutenção do desenvolvimento da economia brasileira, e também porque não existe, à primeira vista, uma estratégia de desenvolvimento diferenciada para a região. O papel da Amazônia no mercado global ainda continua sendo o de fornecedora de matérias-primas e produtos alimentares para o mundo.

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    2010

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