Memorial Petronio Augusto Pinheiro
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Aposta na economia regional
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• Os barcos de pesca

Nem só de borracha vivia a fartura da região do rio Juruá. Os irmãos Alfredo e Petronio tinham vasta experiência em alternativas de negócios e um deles era a pesca. Por isso, montaram uma frota de barcos de pesca, com o propósito de abastecer o mercado de Manaus. Começando com o Caapiranga, o Pirandirá, o Albatroz, o Canamari e finalmente, com estrutura mais moderna, o Ana Maria, os irmãos Pinheiro aprimoraram sobremaneira o processo de resfriamento e armazenamento do pescado. O Ana Maria era equipado com um moderno propulsor MWM alemão de 120 Hp, possuía 12 câmaras frias que recebiam o pescado e gelo em escama (processado no próprio barco ), evitando assim que as barras de gelo fossem quebradas sobre o pescado, diminuindo sua qualidade e durabilidade. Vale ressaltar que estas câmaras frias eram alocadas seis de cada lado e permitiam que os pescadores gelassem os peixes, sem precisar entrar nas geleiras, o que era mais saudável e algo inédito no Amazonas.

• Pecuária bubalina – as Fazendas Manacá, Bela Vista e Carabao

Em 1960, Alfredo e Petronio permutaram com os padres salesianos animais bovinos por bubalinos que os religiosos haviam recebido de presente de um criador do Estado do Pará. Contam os religiosos que, por desconhecer o manejo dos bubalinos, os vaqueiros se recusavam em lidar com a espécie. Petronio, que nutria o sonho de ser pecuarista desde jovem, foi atrás de conhecimento e qualificação. Buscou na literatura, participou de feiras agropecuárias, exposições e de tudo que pudesse lhe propiciar informações sobre a raça bubalina, que era tida como a “pérola negra” de outras regiões da Amazônia, notadamente no Estado do Pará, na Ilha de Marajó. Os animais foram introduzidos na  Fazenda Manacá, localizada na boca de cima do Lago do Aleixo. Lá o rebanho experimentou crescimento e produtividade excepcionais, determinando a venda de todo o plantel de bovinos para investimento em novas matrizes bubalinas. Mais adiante, foi necessária a compra de uma propriedade na costa do Varre Vento, no município de Itacoatiara. A fazenda Bela Vista foi fundamental para a consolidação do rebanho, pois a Fazenda Manacá já não comportava todo o rebanho. Com a grande cheia de 1989, foi novamente necessária aquisição de uma propriedade na comunidade do Novo Remanso, também em Itacoatiara. Mesmo com o investimento em pastagem e em ração para os búfalos, ainda assim morreram 66 animais devido à cheia e a uma rigorosa estiagem. Apesar deste revés o crescimento do rebanho era notável, o que permitiu agregar novas propriedades, como a Fazenda Carabao, onde Petronio investiu em melhoramento genético através da compra de 26 matrizes de linhagem leiteira dos irmãos Pedro e Jorge Machado Freire, de Santarém-PA. Como fruto desta dedicação ao búfalo, em 2006, a senhora Iclé Barauna Pinheiro foi eleita Pecuarista do Ano e a Fazenda Carabao tornou-se referência em termos de melhoramento genético e fabricação de laticínios, contribuindo para a formação acadêmica de alunos dos cursos de medicina veterinária e agronomia de universidades locais.

• Cerâmica Taquara

Um dos projetos mais acariciados de Petronio Augusto Pinheiro foi a construção da Cerâmica Taquaraum sonho desse empreendedor que alimentava a decisão obstinada de produzir artefatos cerâmicos a partir dos insumos locais, sem depender de incentivos fiscais, operacionais, ou quaisquer outras regalias tributárias, como seus antepassados fizeram no ciclo gomífero. Tudo começou após uma reunião na Associação Comercial, da qual Siqueira e Petronio ainda eram membros. Eles costumavam jantar após a reunião semanal no restaurante Florestal, que funciona nas proximidades do Reservatório do Mocó, no bairro de Adrianópolis. Conforme relata Siqueira, o projeto visava retomar em outros moldes uma cerâmica construída pelos ingleses no século XIX, que abasteceu a construção de Manaus, no glamour do Ciclo da Borracha. Era a empresa Amazonas Engineering que ficava nas proximidades das lajes, na Colônia Antônio Aleixo.

Petronio possuía um terreno localizado na margem esquerda do Rio Amazonas, no Lago do Aleixo. Ali existia a melhor qualidade de argila, de toda a região, segundo estudos atestados e encomendados junto à Universidade Federal do Paraná. Em sociedade com o amigo Ribamar Siqueira arrendou um terreno da antiga cerâmica Morada, na Colônia Antonio Aleixo e lá implantaram uma moderna fábrica de telhas e tijolos produzidos com equipamentos da marca Bonfanti, indústria centenária do setor, situada em Leme, no Estado de São Paulo. O primeiro conjunto de equipamentos foi adquirido junto à Mineração Taboca, que se desfez do maquinário, pois não estava neles seu foco principal. Com o crescimento da atividade, outro conjunto de máquinas foi adquirido diretamente do fabricante paulista.

A Cerâmica Taquara dispunha de instalações, máquinas e processos industriais de última geração, como o sistema de queima de tijolos e telhas feito a partir de BPF (Baixo Poder de Fusão) e posteriormente com a utilização de pó de serragem mediante o aproveitamento de subprodutos das serrarias locais, introduzindo pioneiramente práticas ambientalmente sustentáveis. Além disso, os fornos de queima eram dotados de trilhos, fazendo com que os colaboradores não precisassem entrar no interior dos mesmos para a retirada do produto acabado. Os tijolos eram logo marcados com o nome e telefone da empresa a fim de permitir a rastreabilidade e proporcionar o contato de novos clientes com o fornecedor. Os colaboradores dispunham de um restaurante com oferta de alimentação de qualidade e de área de lazer para usufruir no período de descanso. A empresa, no auge de seu desempenho, chegou a empregar cerca de cem trabalhadores, oriundos na quase totalidade da Colônia Antonio Aleixo. Outra providência observada era o encerramento da atividade laborativa pontualmente às 17h00, a fim de permitir que os colaboradores pudessem freqüentar a escola da localidade. Todo o processo produtivo era monitorado através de CEP (Controle Estatístico de Processo) e baseado em planejamento estratégico elaborado pela diretoria e gerência da empresa.

A Cerâmica Taquara encerrou as suas atividades após oito anos de funcionamento em função da concorrência desigual, com outras indústrias localizadas no município de Iranduba-AM, que não eram obrigadas a arcar com os custos de produção inerentes a uma fábrica localizada na capital.

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