Memorial Petronio Augusto Pinheiro
PRINCIPAL AMAZÔNIA BIOGRAFIA EMPREENDEDOR FAMÍLIA DOCUMENTOS ÁLBUM VÍDEOS AUDIOTECA LIVRO DE VISITAS
Do Juruá ao Juruá
-A  A+

Quando completou 18 anos de idade, Petronio Filho foi surpreendido com um inusitado pedido de seu pai Petronio: “quando eu partir, se a Igreja católica não mais proibir, eu quero que o meu corpo seja cremado e as minhas cinzas lançadas nas águas do rio Juruá, defronte ao seringal Conceição do Raimundo, onde fui criado”. Dezoito anos mais tarde o seo Petronio foi acometido de um novo AVC só que desta vez hemorrágico. Em estado de coma, seus médicos reuniram a família para informar a morte cerebral sem qualquer possibilidade de recuperação e a vida de seo Petronio na UTI da Beneficente Portuguesa estava sendo mantida com auxilio de equipamentos. Petronio Filho reuniu a família e comunicou o pedido que o seu pai lhe fizera há 18 anos. Para conforto de todos, dado o ineditismo do comunicado, Márcia, a terceira filha do casal informou que o seu pai também lhe fizera o mesmo pedido. O passo seguinte foi consultar os representantes da Igreja, que prontamente informaram que há muito tempo a cremação não era proibida pela Igreja, apenas não era incentivada. Após a missa de corpo presente, na igreja Nossa Senhora das Graças, no Beco do Macedo, os filhos Rodrigo e Márcia embarcaram com o corpo de Petronio para ser cremado no crematório municipal da Vila Alpina em São Paulo.

Petronio tinha o sonho de levar a família para conhecer o Seringal Conceição do Raimundo e o seu querido Rio Juruá. Ele não conseguiu em vida, mas os levou na morte. Os que ficaram em Manaus, se dividiram no amparo à dona Iclé e nos preparativos da viagem ao seringal com a ajuda do sobrinho querido, Ralph Assayag. Num turbo-hélice Bandeirantes rumo ao município de Itamarati, para cumprir a vontade do seo Petronio, seguiram os cinco filhos, os amigos Jaime e Joacy, o genro Dodó, o sobrinho de coração Guilherme Fregapanni e Miberval Jucá, amigo de Ieda e Dodó que havia sido vice-prefeito de Itamarati. Não bastasse a emoção que envolvia o cumprimento da missão, a mesma foi ainda temperada com uma tempestade tropical, na aproximação para o reabastecimento da aeronave em Tefé, de tal intensidade, que o comandante cogitou seriamente em abortar a aterrissagem devido à pouquíssima visibilidade. Porem, inesperadamente a torre de controle de Tefé informou ao comandante que ele poderia pousar com “segurança” na esteira de um Búfalo da Força Aérea Brasileira que estava em procedimento de pouso.

Cerimônia do adeus

Chegar a Itamarati era só uma parte da viagem a próxima etapa seria feita em voadeiras com motor de popa até o Seringal Conceição do Raimundo. A chegada ao seringal foi emocionante, estar no lugar onde Petronio havia morado, de onde contava tantas histórias... a comitiva foi recepcionada pela dona Josefa, uma senhora sexagenária que, em nítida atitude de liderança, estava à frente dos moradores da comunidade. Feitas as apresentações, dona Josefa que se postou ao lado de Iclé, num gesto eloqüente de solidariedade, reconheceu o menino Jaime, perguntou pelo Alfredo. Mostrou onde era a casa do Seo Nilo, falou um pouco da vida no seringal nos dias de hoje e por fim, para surpresa de todos, informou que gostaria de entregar a imagem de Nossa Senhora onde, segundo ela, a mãe de Petronio rezava. Ela disse que sentia aliviada de passar a Santa pois a guarda tinha ficado com ela mas, já estava velha e a responsabilidade pesava. Entretanto, como a comitiva está de voadeiras e que a imagem poderia não agüentar a viagem, foi acordado que ela iria a Manaus levando a imagens, o que depois aconteceu. Ao receber a imagem Iclé mandou restaurar e hoje ela guarda os restos de Iclé e Petronio na capela que está na fazenda Carabao. Após o passeio pela terra a comitiva voltou às lanchas para que lançássemos ao RIO JURUÁ parte das cinzas do seu filho querido, Petronio Augusto Pinheiro. A urna com as cinzas foi aberta para que cada um pegasse um punhado e as lançasse no rio, foi um dia santo, triste e, sem dúvida, inesquecível . O grupo não tinha muito tempo pois o avião deveria decolar de Itamarati no máximo às 16hs e assim, após o ritual das cinzas, o grupo voltou.Por decisão da família foi lançado no rio parte das cinzas e a outra parte está guardada numa capela construída para este fim na Fazenda Carabao. Antes de falecer Iclé informou que também queria ser cremada e que suas cinzas fossem misturadas a de Petronio, o que foi feito.

  Linha do Tempo

   
   
   
   
   
   
   
   
   
    2010

  Links Relacionados

Biografia
A paixão pelo conhecimento
A casa da Joaquim Nabuco, 1414
A casa da Paraíba, 334
A atuação em Entidades de Classe.
Juruá e Madeira, surge a JUMA participações
O AVC e a obstinação pela vida

  Tags

Categoria Biografia / Rio Juruá / Seringal Conceição do Raimundo /

  
 
® 2012 - 2018 Memorial Petronio Augusto Pinheiro
  |  DESENVOLVIMENTO