Memorial Petronio Augusto Pinheiro
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A casa da Paraíba, 334
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Depois, da 1414, passarela de emoções primitivas e preciosas, quando Petronio casou com Iclé, eles foram morar na Av. Getúlio Vargas, quase na confluência com a Rua Joaquim Nabuco, entre outros endereços, antes de mudar para a casa da Rua Paraíba, 334, outro palco de muita vida, descobertas e partilhas inesquecíveis. Por muitas décadas e pelo menos duas vezes por semana, o casal recebia amigos para prosear. Seus filhos lembram muito bem disto porque assim que eles chegavam a meninada ia-lhes ao encontro cumprimentá-los e, sempre que possível, participar da conversa. Passados os momentos iniciais de acolhida, dependendo da pauta na ocasião, os pais os aconselhavam a se despedir porque a conversa iria restringir-se ao mundo dos adultos. Depois com o tempo, já crescidos, mente mais aberta e espírito mais atento, foram assimilando e degustando o prazer que aquelas reuniões ofereciam. Estavam, pois, aptos a aprender e crescer na arte de fazer amigos, assegurando assim a perpetuação dessa marca registrada e peculiar da família Baraúna Pinheiro.

O radinho de pilha e a confraria dos sábios

Algumas cenas em família insistem em permanecer no acervo de nossos registros provavelmente pela importância de vida que representam ou pelos afetos que encerram. Na espaçosa varanda da Casa da Rua Paraíba, ali se reuniam para as confabulações dominicais, expoentes da cultura clássica e regional do Amazonas, em torno de uma garrafa de café, uma cesta com tucumãs ou uma tigela de coalhada fresca. Um time da pesada mobilizado por seo Petronio e que incluía Epaminondas Barahúna, José Alípio de Carvalho, José Ribamar Bentes Siqueira, Alfredo Jacaúna Pinheiro, Ambrósio Assayag, Cesare de Florio La Rocca, Guilherme Fregapanni, Orlando Garcia, Heitor Dourado e, vez por outra, José Lindoso, Roberto Gama e Silva, Severiano Mário Porto, Mário Antonio Susman e Rui Lins, para citar os mais assíduos.

O tema central do falatório era invariavelmente o mesmo: a Amazônia no contexto nacional e as oportunidades que se vislumbravam com o advento da Zona Franca de Manaus. Na pauta da prosa amazônica não poderiam faltar as especulações e as teses históricas para elucidar a derrocada dos seringais. O que fazer para evitar uma nova débâcle? Como assegurar a perenidade do modelo ZFM? A competitividade assegurada em Lei e mais tarde petrificada, literalmente, nas disposições transitórias da Constituição Federal de 1988, sempre representou inquietação e incertezas pelas ameaças empunhadas por compatriotas que não conseguiram desenvolver o laço de pertencimento em relação à Amazônia. Cosmopolitas por formação e nativos por opção e compromisso, aquela confraria cabocla determinou uma visão de mundo e as escolhas e alternativas assumidas desde então. Havia entre todos a concordância sobre a grande e preocupante equação amazônica: a distância, pouco importando se percorrida de barco, por estrada ou avião. Esse aparente percalço condiciona a vida, compromete o desenvolvimento e dificulta preparar o futuro. Distância medida em dias, praias, légua de beiço, quilômetros, ou horas de vôo, onera o preço final e reduz a competitividade do sistema. A China chegou para demonstrar que a estória não é bem assim. E que aquelas deliciosas divagações escondiam o fascínio do desafio e o fio da meada de nossos avanços.

Entre as teses aquecidas pela energia do café e das iguarias regionais distraidamente consumidas, surge a novidade do radinho de pilha, a mais avançada tecnologia da informação do seringal. E de uma hora para outra, as explicações do seqüestro das sementes de seringueira para cultivo racional na Malásia, e outras especulações que equacionavam o fim do Ciclo da Borracha, foram momentaneamente esquecidas. O grande culpado da débâcle do Ciclo de pujança e esplendor, retomado pelo Brasil com a ajuda de Washington, na II Guerra Mundial, eram as ondas do radinho de pilha, que levavam aos seringueiros o preço da borracha nos mercados nacionais e internacionais sem ensinar a deduzir do custo do produto vendido o preço do frete, a estrutura logística de transportes e outros custos. Ora, se é assim, pensou o seringueiro, estão enganando a gente... é melhor mudar de ramo! É claro que a inconseqüência da prosa não pretendia substituir os fatos comprovados da História e se referiam aos teimosos seringueiros do beiradão que continuavam até os anos 60 a coletar leite de seringa para abastecer as demandas locais. Algumas reflexões, porém, podem ser aproveitadas dessa estória. A começar pela importância do conhecimento e da circulação desse conhecimento sobre a região. Aí, provavelmente, residem nossas dificuldades e desafios. Sabemos pouco de nós mesmos e dedicamos pouca atenção a nossa História. Costumamos exaltar nosso glamour e fausto que o látex propiciou, mas não refletimos devidamente sobre o papel da estrutura logística e de navegação que os ingleses montaram, investindo mais de 250 milhões de libras na construção de navios modernos e eficientes, feitos em aço nos estaleiros tradicionais da Escócia e ajustado às condições ambientais da região, que circulam por aí até nossos dias. Essa história, contada pelo médico e historiador Antônio Loureiro, num livro sobre Navegação no Amazonas, ilustra a necessidade de compreender melhor nossa memória e a importância do radinho de pilha, ou seja, da comunicação dentro da tribo. E mais: essa comunicação, pautada em cima de nossos interesses comuns de crescimento e prosperidade geral, precisa identificar os novos obstáculos da contra-informação e do atraso a impedir os avanços que as novas confrarias estão aptas a fabricar.

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    2010

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