Memorial Petronio Augusto Pinheiro
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A casa da Joaquim Nabuco, 1414
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A mudança para Manaus aconteceu. O palco inicial foi um sobrado de arquitetura portuguesa, nas proximidades do Hospital Beneficência Portuguesa, na Rua Joaquim Nabuco, número 1414, no Centro de Manaus, que foi comprado com as economias do látex em derrocada, e tornou-se o lugar referencial de muitas estórias que Petronio passou a viver a partir dos 14 anos quando veio do seringal, com seu irmão Alfredo, continuar os estudos e galgar uma profissão. Ele gostava de contar a todos os episódios que marcaram os anos da 1414, como costumava chamar a casa comprada por seu pai, Francisco Nilo Pinheiro, onde morava com seu irmão Alfredo, tia Dulce, Tio Moacir, Tia Regina, primos legítimos entre si, e o primo Edmilson Moreira Arraes que, do porão da 1414, tornou-se Procurador Geral da Fazenda Nacional no período de junho de 1961 a agosto de 1962. Na 1414, eram lendárias as celebrações dos aniversários e a recepção de amigos, ou dos parentes. Nestas ocasiões o prato principal era sempre a tartarugada preparada inconfundivelmente por Dedé, que morava com a família do seu irmão Alfredo; e havia um ritual: as crianças sentavam-se ao chão ao redor do casco de tartaruga, guarnecido fartamente de farofa, preparada com farinha do Uarini e pedaços do delicioso bicho de casco, enquanto que os adultos sentavam-se à mesa.

A casa cumpria várias funções, e atendia múltiplas necessidades e rituais: além de reunir e fortalecer o espírito de comunhão da família Pinheiro, por seu tamanho e ótima localização, abrigava os parentes e os colaboradores quando vinham do Seringal ou do Ceará. Tornou-se em seguida ponto de encontro de amigos que se achegavam dispostos a falar da vida, debater sobre negócios e sobre os acontecimentos que sacudiam o Amazonas em transformação. A pauta, regada a café, tucumã e farinha, versava sobre a penúria da II Guerra, à vinda de Getúlio, dos Soldados da Borracha, da refinaria do I.B. Sabbá, da visita de Juscelino, da carestia e falta de perspectiva de uma cidade que tivera seu auge na Belle Époque e amargava a estagnação, que era preciso superar. Nesta casa Petronio viveu até casar-se, mas continuou freqüentando-a como extensão de seu lar e referência familiar.

“AMIGO DE FÉ E IRMÃO CAMARADA”

Desde aí, um traço que mais distingue a personalidade de Petronio, dando-lhe uma nota de autenticidade singular, é a capacidade de fazer e cultivar amizades. Raras vezes pessoas com as quais ele conviveu no campo profissional não passaram à condição de amigos diletos. Terminada a prestação de serviço ou o convívio do vínculo profissional, se o interlocutor tivesse revelado valores e princípios afinados com os dele, a relação passava à esfera privada e, naturalmente, a introdução ao convívio familiar. Daí pra frente, o vínculo se perenizava ainda que testado por involuntária distância. Petronio tinha uma capacidade enorme de fazer e manter amizades. Um exemplo, entre tantos, foi o de Edmilson Arraes, um advogado do Rio de Janeiro, que o ajudou na penosa empreitada frente à desapropriação do terreno da EMBRATEL, que se tornou um amigo para a vida toda. O mesmo aconteceu em relação aos proprietários da Companhia Caravelas de Transportes, Fred, Fábio e Aurélio que, de tanta identificação e empatia, passaram as ser muito mais que fornecedores, amigos, tesouros pra se guardar embaixo de sete chaves.

Depois que concluiu o colegial, atual Ensino Médio, iniciou no mundo do trabalho, tanto na Associação Comercial do Amazonas como na Companhia Nacional de Borracha, enquanto seu irmão Alfredo foi para Belém, nos anos 40, onde estudou até o segundo ano de Medicina, mas voltou para o seringal Conceição do Raimundo, objetivando ajudar Seo Nilo no II Ciclo da Borracha, quando o governo dos Estados Unidos precisou deste produto para suas indústrias, durante a Segunda Guerra Mundial. No ingresso de Petronio na Associação Comercial do Amazonas como na Companhia Nacional de Borracha, se deu um encontro com Cosme Ferreira Filho, que marcou toda sua vida. No discurso na FIEAM, em 1985, quando foi eleito o Industrial do Ano, Petronio assim se refere a este vínculo: “Foram 27 anos de amizade com a oportunidade de assimilar toda uma filosofia de trabalho, voltada para a racionalização da produção de nossas principais espécies econômicas, visando a sua industrialização final no Estado”, (...) “... um eminente e consagrado amazonólogo, Cosme Ferreira Filho, antes de chefe, um autêntico mestre, orientador dos mais jovens, a quem o Amazonas tanto deve”.

Solidariedade e austeridade, a família ampliada

Petronio facilmente inseria os grandes amigos, além das pessoas necessitadas, na categoria ampliada de seu conceito de família. E o fator familiar movia o clima de comunhão, lazer, descontração e solidariedade, embalado por um perfil humano despojado, sem ostentação nem vaidades. Petronio era conhecido como o homem de dois ternos. Um no corpo e o outro na lavanderia, tal a simplicidade e austeridade de sua conduta e condição de vida. Os mais íntimos o chamavam de Colecionador de Alfinetes, por sua absoluta recusa em desperdiçar qualquer coisa. Isso lhe custou a fama de pão-duro, por declarar-se abertamente contra quaisquer despesas ou gastos supérfluos.

Essa austeridade, porém, não se aplicava às relações, pois a generosidade e cumplicidade fraterna foram suas marcas registradas, do viver com e para a família e amizades que daí florescessem. Como dizia seo Nilo, “Um Pinheiro nunca deixa um companheiro para trás". 

UNIVERSIDADE DO JURUÁ

Assim era denominada a reunião festiva sempre que Petronio, seu irmão de sangue, Alfredo, e de adoção, Jaime, Joacy e Edmundo, se encontravam. Os temas ligados à vida no Juruá era a pauta imutável. Em torno de uma fogueira enquanto se assava um bom churrasco ou um bicho de casco, regados a cerveja gelada, as lendas da cobra grande ou do jacaré batedor, ou ainda a do "quincajú", também conhecido como macaco-da-noite, quincaju ou, do inglês, Kinkajou, tinha a terrível fama de seccionar o tendão de Aquiles de um desatento seringueiro. Ou do Mapinguari, eram contadas e assistidas com enorme curiosidade pela legião de amigos, funcionários, filhos e netos.

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