Memorial Petronio Augusto Pinheiro
PRINCIPAL AMAZÔNIA BIOGRAFIA EMPREENDEDOR FAMÍLIA DOCUMENTOS ÁLBUM VÍDEOS AUDIOTECA LIVRO DE VISITAS
Rua Paraíba, 334
-A  A+

Tal qual acontecera na casa da Rua Joaquim, 1414; a casa da Rua Paraíba, 334, guardadas algumas peculiaridades, foi cenário de grandes acontecimentos marcados sempre pela forte presença da família ampliada em festas, encontros dominicais, férias, encontros para estudos, jogos, aventuras mil. Aventuras protagonizadas pela leva dos 5 filhos, primos e amigos que se associavam à tropa para desfrutarem do amplo quintal da residência localizada na Vila Municipal.

Petronio e Iclé não se furtavam em se unir à turma para brincar de boca de forno, jogar futebol e tomar um gostoso banho de chuva com direito a usufruir da torrente d’água que caia da calha do telhado. O casal era considerado pela maioria de seus sobrinhos, tanto os de sangue como os de coração, como os seus "segundos pais", como relata o sobrinho Ralph. Apesar de ambos interagirem muito bem com o ‘público mirim’ era Petronio que flexibilizada as regras da casa, enquanto cabia a Iclé puxar as rédeas e vez por outras dar "broncas" que causavam pânico a quem a recebia. Não respeitar o sacrossanto horário da sesta era uma das situações que tirava dona Iclé do sério.

Mais do que um quintal, aquilo era o pomar dos deuses. A variedade de frutíferas oferecia cores e sabores em profusão. Frutas que eram disputadas pela tropa tão logo amadureciam: manga de diversas espécies, tangerina, laranja, laranja-lima, araçá, abiu, cupuaçu, biriba, castanhola, azeitona-preta, cacau, açaí... que saudade e que vontade de rodar pra trás a girada do tempo!

Uma verdadeira heroína, na árdua tarefa de ‘tomar conta’ da cambada inquieta, foi a querida Tia Nazaré. Todas as sextas-feiras o ritual se repetia: por volta das 17:00 horas Petronio ia buscá-la na Drogaria Lemos, situada na Rua dos Barés onde trabalhava e, com a bolsa já repleta de chocolates e tortas importadas, adquiridas na Lobrás, Booth e no Pag-Lev, entrava no carro para passar um nada tranqüilo fim de semana junto aos sobrinhos e compadres, na companhia também de dona Isabel. Ela também foi companheira do bando nas inesquecíveis férias vividas em Mosqueiro e em Salinópolis, na primeira vez que o mar foi apresentado pelo casal Petronio e Iclé aos seus ‘ribeirinhos’.

A vó Isabel, que na década de 80’ foi morar na casa da Rua Paraíba, também integrou o mutirão de ajuda à filha Iclé e suas jornadas múltiplas de trabalho, com prioridade nos cuidados com seus filhos. Sempre atenciosa, com voz mansa e imensa serenidade, era mestra em apartar brigas; tratar de eventual dor de cabeça com uma prece feita sob o enfermo pedindo ajuda com o sinal da cruz; além de emprestar alguns trocados para que os famintos netos pudessem esvaziar o carro de pipoca ou o latão de cascalho para ludibriar a fome na merenda da tarde.

Petronio via na prática desportiva um instrumento valioso para disciplinar, socializar e desenvolver o ser humano, por isso desde cedo incentivou os filhos a praticarem qualquer que fosse a modalidade esportiva desejada: judô, natação, vôlei, atletismo, basquete e boxe. Outro aspecto não desconsiderado na educação dos filhos foi o apoio e incentivo para o estudo, principalmente, da língua inglesa. Depois de concluírem o curso do ICBEU (Instituto Cultural Brasil Estados Unidos), Márcia, Rodrigo e Ieda foram aperfeiçoar o aprendizado nos Estados Unidos.

Escolas de Pais – a Partilha de Vida.

Os anos sessenta foram marcados por grandes transformações na história, nos valores e costumes de todo o planeta: viagem espacial, guerra-fria, movimento hippie, o concílio Vaticano II, os Beatles... Os pais se viam embaraçados e sem perspectivas quanto aos novos padrões e valores de educação dos filhos. Foi assim que, também preocupados com essa problemática, um grupo de religiosos da Igreja Católica, juntamente com inúmeros casais leigos, reuniram-se com a finalidade de estruturar um movimento que pudesse ajudar os pais na difícil tarefa de educar os filhos. Em 1963, partindo de um modelo existente na França, nascia a Escola de Pais do Brasil. O movimento não demorou a chegar ao Amazonas. Segundo um dos seus participantes a Escola de Pais se implantou em Manaus no final dos anos 60 e foi dirigida por longos anos por Iclé e Petronio Pinheiro, juntamente com Nuno e Maria Cunha, Heitor e Nícia Dourado, entre outros.

Durante mais de dez anos, com reuniões semanais na Casa da Criança, na Rua Ramos Ferreira, o casal Petrônio e Iclé dentre outros, colaboraram efetivamente para que os objetivos da entidade fossem atingidos: reforço à família, conscientização da paternidade responsável; transmissão de conhecimentos básicos de psicologia e pedagogia e de técnicas educativas que favoreçam a reformulação de conceitos e a convivência entre pais e filhos. Era uma verdadeira escola, no sentido da reflexão e da aprendizagem, para tratar dos interesses da família, de uma forma mais ativa. Eles se atualizavam constantemente através de reuniões de estudo, debates de livros, seminários e congressos nacionais cujos temas versavam sobre: Educação no mundo atual; Amor e segurança – alicerces de um desenvolvimento sadio; Mãe, esposa e mulher – sua atualidade; O pai e o exercício da paternidade; A maturidade dos pais na vivência familiar; Ação Educativa na infância e na meninice; Dificuldades para se educar; Ação Educativa na Adolescência; Sexualidade Humana.

A Selva

Numa civilização que prioriza o aparente e acidental em detrimento do essencial, o brilho áureo da vida em comunhão nos provoca e convoca a uma reflexão sobre o sentido de nossa presença no mundo. Qual é mesmo a razão maior do existir? O que significa relembrar e visitar as famílias que se reuniam no Sítio do Tio Dourado, chamado de Selva pela criançada, senão constatar que eles haviam acessado a chave desse enigma transcendental do viver e conviver e contemplado essa beleza tão antiga e sempre nova de que falava Santo Agostinho ao descobrir a boa-nova do Amor? No esplendor de sua simplicidade, revisitar essa convivência nos motiva a renovar a virtude da esperança por dias mais fraternos.

É importante dizer que se os encontros dominicais no sítio da família Dourado permitiam à gurizada desfrutar de saudável entretenimento, movido à aventura com longas excursões pelos leitos dos igarapés sob o comando de Petronio e Dourado. Aos adultos as reuniões propiciavam um salutar debate em torno de temas emergentes em escala global. Os amigos ao se reunirem brindavam o prazer de conviver; de compartilhar sonhos, projetos, temores e amores que a vida em família desperta e traduz.

O susto, a presença e o desbravador

Foi na Selva que a família viveu um grande susto. Num domingo, depois conversar, tomar banho de igarapé e almoçar um delicioso churrasco, Petronio foi tirar a sesta deitado na areia, de baixo de uma das cabanas de palha. Enquanto ele descansava, parte da turma jogava bola. Um dos tios que estava indo embora de carro não viu Petronio deitado e passou por cima dele. Ao ouvir os gritos das pessoas ele parou e todos foram levantar o carro que já estava meio atolado na areia, para retirar Petronio de baixo do veículo. Quando o puxaram viram que a descarga do carro havia grudado em toda a área do abdômen o que resultou numa queimadura de terceiro grau que atingiu também os braços e as coxas. Com tio Dourado no comando, Petronio foi levado imediatamente ao hospital Getúlio Vargas onde recebeu os primeiros socorros. Em função desse acidente ele ficou em casa por mais de 2 meses em recuperação. Um momento mágico e precioso para os filhos, o de ter o pai em casa só para eles. Foi nesta época que o desbravador americano Daniel Boone passou a fazer parte das tarde da família que se reunia em torno da TV para assistir ao seriado do novo ídolo de Petronio, Iclé, filhos e sobrinhos.

Convívio e celebrações de uma Família

Os aniversários, batizados, almoços de domingo, festas juninas, natais, páscoa e até casamento da família foram protagonizados nas várias dependências da inesquecível morada da Rua Paraíba, 334. Mas de todos os eventos, o campeão de audiência era o aniversário da filha Iêda por ser no mês de junho. Todo dia 19 o quintal se transformava num grande arraial e a festa tinha direito a quadrilha, pau de sebo, quebra-pote, fogueira, corrida de saco e até a contratação do “Garrote Pena de Ouro”. Iclé juntava filhos e sobrinhos para fazer as bandeirinhas destinadas a enfeitar o quintal e confeccionar cones coloridos de papel de seda para acondicionar a sua famosa paçoca.

Mas não era só de festa que a casa vivia por lá passava sempre muita gente dentre os quais alguns desabrigados e outros em convalescença. Quem ali chegasse encontraria uma refeição, um ombro amigo, um clima de acolhida e celebração permanente de harmonia.
Lissa Nakamura, filha do cônsul geral do Japão em Manaus, viveu seis meses na casa da família Iclé e Petrônio Pinheiro, pois seus pais foram transferidos para outra localidade. Ela era amiga de Iêda no colégio Nossa Senhora Auxiliadora, e ficou morando em sua casa para não perder o semestre escolar. Lissa relata o clima familiar, educacional e cristão que experimentou nesse período.

Luiz Otavio Rodrigues da Silva, um jovem de origem humilde, era aluno do Colégio Ida Nelson, uma tradicional escola da Igreja Batista, considerada referência em qualidade de ensino e formação moral, no Amazonas. Ele era contemporâneo de Rodrigo, o filho mais jovem de Petronio e Iclé. Um dia, este chegou em casa e contou aos pais o drama do colega, carente de cuidados especiais, por razões de doença, que lhe exigia alimentação especial e repouso absoluto em ambiente arejado e saudável. Sua condição familiar, porém, não atendia às exigências médicas. Imediatamente, Rodrigo foi por eles instruído a chamar o colega para casa, a despeito dos riscos de eventual contágio de sua moléstia. Luiz, em poucos meses se recuperou completamente, e hoje, farmacêutico e bioquímico, é um servidor público, jovial e dinâmico, que se dedica a viabilizar projetos de nutrição popular para comunidades carentes dos municípios do interior.

Nesta fase era recorrente, também unir as famílias deixadas por seo Nilo, juntando os filhos de Iclé e Petronio com os de Alfredo e Geralda, acompanhados de seus achegados, para passeios nos barcos de pesca e piqueniques na Fazenda Manacá, localizada à margem do Rio Amazonas, na boca de baixo do Lago do Aleixo, sob a confluência do Encontro das Águas.

  Linha do Tempo

   
   
   
   
   
   
   
   
   
    2010

  Links Relacionados

Família
Noivos de uma comunhão eterna: O casamento
Juventude: Educação como prática de liberdade
Os Netos: Filhos e filhas duas vezes de uma amor cuja história haveriam de continuar a escrever

  Tags

Categoria Família /

  
 
® 2012 - 2017 Memorial Petronio Augusto Pinheiro
  |  DESENVOLVIMENTO