Memorial Petronio Augusto Pinheiro
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Anos 60 - Militares na Amazônia - “Importa mais o que nos une e menos o que nos separa”
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Os militares já estavam na Amazônia desde o tempo em que Eduardo Ribeiro, um capitão qualificado do Exército, governou o Amazonas, no fim do Século XIX, com o apoio de seus colegas de Escola Militar da Praia Vermelha, Marechal Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, e deram especial atenção para a Amazônia, defendendo em comum acordo, que era preciso ocupá-la, proteger suas fronteiras da cobiça internacional, e integrar seu território no contexto da brasilidade. Por isso foi tão importante preparar a região para o futuro, qualificar nossos quadros e mobilizar a inteligência nacional no conhecimento e aproveitamento da floresta. Essa foi a grande pauta de identificação de Petronio com os militares, com quem sempre teve uma aproximação de amizade e propósitos. O coronel Alípio de Carvalho, um dos nomes fortes do regime no Amazonas, além de quase parente e confidente, era companheiro dos saraus inesquecíveis que agitavam as reuniões da Casa da Rua Paraíba.

A amizade de Guilherme Fregapanni e Iclé Pinheiroesposa de Petronio, iniciada com um projeto de promoção humana e educação/qualificação dos jovens, por meio de parceria entre exército e a Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor - FUNABEM, órgão no qual Iclé Baraúna teve destacada atuação, também mostra a importância dada pelo governo ao trabalho das Forças Armadas na fronteira. Isso apenas fortalecia o apreço de Petronio com relação aos militares, cuja empolgação influenciou as ações e opções de trabalho de alguns amigos e parentes que atuavam na região para defender a terra pela qual ele nutria verdadeira paixão.

Em 31 de março de 1964, no entanto, os generais foram à forra, derrotados por seguidos confrontos desde Getúlio, JK, Jango e Jânio e decretaram a Ditadura Militar. Petronio, porém, não se envolveu com os métodos e condutas políticas deste regime, e sempre defendeu a liberdade de pensar, associar e empreender como requisito da Democracia.

DIREITA OU ESQUERDA?

Não cabia essa divisão maniqueísta na cabeça libertária daquele filho de seringueiro acostumado à liberdade de precisar escolher para sobreviver no desafio cotidiano da superação. Enquanto discutia, com desenvoltura e propriedade, o futuro da Amazônia com Ribamar Siqueira, Guilherme Fregapanni e Roberto Gama e Silva, três funcionários qualificados do Conselho de Segurança Nacional onde estava alocado o temido SNI, Serviço Nacional de Informação, acolhia em sua casa as lideranças estudantis da Universidade Federal, onde atuava suas filhas e os adotivos de esquerda, dispostos a fazer a contra-revolução. De quebra, Petronio e Iclé haviam adotado um padre esquerdista, Cesar de La Rocca, um italiano revolucionário,  com quem partilhavam oração e ação social em favor dos mais humildes. 

"A coisa que mais me impressionou de Petronio e continua me impressionando hoje, é que todo mundo fala de modernização do empresariado, da contemporaneidade da figura do novo empresário brasileiro, naquela época ele já tinha este perfil, ninguém falava de cidadania empresarial, mas o Petronio exerceu uma contemporânea e revolucionária cidadania empresarial. Eu vi ele fundando empresas, e essas empresas repousavam sobre um pilar irrenunciável da parte dele, que era a atenção humanitária pelo trabalhador, não se falava tanto sobre direito trabalhista quanto de necessidade dos trabalhadores, e ele ia ao encontro dos trabalhadores das empresas que ele comandava de uma maneira absolutamente moderna e não assistencialista, exigia e dava em contrapartida", afirmou La Rocca ao Memorial.

Essa postura democrática e libertária, de conviver com a pluralidade e a adversidade, refletiu na personalidade dos próprios filhos e suas opções pessoais. Petronio Filho se alistou na vida militar e formou-se no Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR), enquanto suas irmãs, Márcia  e Rosana, que foram presidentes do Diretório Central dos Estudantes na Universidade, enveredaram pelos movimentos de crítica e militaram no movimento estudantil nos anos 70.

"Mas como? Elas são filhas do dono da Coca-Cola, e sobem em cima de carro, e fazem panfletagem, e brigam pelos direitos dos outros? E são filhas do dono da Coca-Cola, o maior símbolo do capitalismo?" Os colegas de Márcia e Rosana, que conviveram na “academia” da Rua Paraíba, tiveram a oportunidade de entender a dinâmica da pluralidade, da acolhida, da adversidade em nome da comunhão maior que a fraternidade impõe. Educar é respeitar, é apontar caminhos e metas de vida e dar o testemunho do compromisso e da aceitação. “Importa mais o que nos une e menos o que nos separa”. Era a frase do Papa João XXIII, que influenciou fortemente os cristãos após o Concílio Vaticano II, a partir de 1965. Mais tarde, Márcia e Rosana atendem ao chamado espiritual e adotam o Movimento Focolari, como resposta aos desafios da existência.

Daí a visão de Petronio, com o desenvolvimento da Amazônia, dos ribeirinhos, em ajudar as pessoas, sua preocupação com sua gente, manter as mãos abertas e os braços do acolhimento estendidos. O que permite entender o comportamento e a escolha de seus filhos, em quem ficou marcada sua essência, valores e visão de mundo.

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    2010

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